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sobre

A música veio primeiro. A animação veio depois, porque as imagens que eu ouvia nas canções ainda não existiam.

Três EPs desde 2014, escritos entre São Paulo e Bruxelas. Animo com IA porque ela finalmente permite que uma só pessoa dê imagem a uma história inteira: gerar, descartar, montar em função da história e não de um briefing. Trabalho do mesmo jeito quando a história é de outra pessoa.

Formada em artes visuais, sou pesquisadora de experiências transformadoras — transito entre imagem, voz e música, numa prática construída sobre intuição, experimentação e uma abordagem holística.

Meu caminho começou nas artes visuais e se transformou, durante os anos de universidade, numa exploração multiforme do som e da performance. Em 2000, dentro do espírito colaborativo do Mboitátá, o palco deixou de ser uma plataforma e virou um espaço compartilhado com o público.

O Mboitátá era um grupo de dezoito artistas — músicos, dançarinos, atores, cantores — que sempre se apresentavam no mesmo nível do público, e muitas vezes no meio dele. Nossos shows eram espetáculos multimídia com um grande número de figuras feitas à mão.

Esses anos, e meus papéis dentro da cena de arte contemporânea brasileira, levaram em 2014 a UMA, meu primeiro EP, onde música e arte visual se entrelaçam ao vivo e transformam as salas em tela para uma narração auditiva e visual.

a arte do som

Passar da arte visual para a arte sonora não foi uma transferência de habilidades. Foi descobrir o quanto esses dois processos já eram ligados.

Essa integração leva a um modo de trabalhar mais dinâmico e holístico — que usa ao mesmo tempo a força do visual e do auditivo, para que o resultado seja mais rico e peça mais de quem está diante dele.

O cruzamento dessas disciplinas não é uma teoria que eu defendo. É o que, na prática, dá ao trabalho sua expressão e seu impacto.

o que vem a seguir

Meu quarto álbum será um álbum visual.

Tudo até aqui apontava para isto: o palco compartilhado, as projeções, o arquivo inscrito no som. Desta vez as imagens não acompanham as canções. Elas são escritas junto com elas — uma só obra em dois meios, feita de ponta a ponta por uma só pessoa.